Workaholics: compulsivos por trabalho

Aprenda a identificar os males do excesso de carga horária

Por diversos motivos, o cidadão é condicionado a ingressar no mercado de trabalho, seja para adquirir estabilidade financeira, investir nos estudos ou conquistar o tão sonhado imóvel ou veículo. Nessa corrida em busca da realização dos objetivos há quem se preocupe tanto com o futuro que o trabalho torna-se o centro da vida, abdicando de atividades pessoais, como o incontestável descanso. No livro “Ansiedade: como enfrentar o mal do século”, o psiquiatra e escritor Augusto Cury explica como desacelerar para manter a qualidade de vida.

No texto intitulado “Os domingos precisam de feriados”, o escritor Nilton Bonder afirma que “a incapacidade de parar é uma forma de depressão” – doença que afeta mais de 300 milhões de pessoas no mundo, segundo a OMS. Amplamente temido, o tédio é visto como algo necessário para o filósofo Bertrand Russell e a psicoterapeuta Maria de Azevedo. Ambos acreditam que a constante ocupação nos leva a problemas maiores – a um “desencantamento do mundo”. O remédio, segundo ela, é algo ainda mais difícil nos dias de hoje: viver o momento presente.

Conforme a psicóloga Cecília Chaves, 48, mentora e especialista em gestão de pessoas, sendo 16 anos de atuação, o workaholismo (vício em trabalho, no inglês) ainda não é reconhecido pela Classificação Internacional de Doenças (CID) como tal, embora se possa tratar esse sofrimento a partir da identificação dos sintomas físicos e mentais. Dentre estes estão alteração do humor, traços depressivos, insônia e pouco tempo dispensado para o lazer, atividades físicas, cuidados com alimentação e saúde. Contudo, o comportamento é tratado como um caso patológico quando ocorrem prejuízos na qualidade de vida do sujeito, de ordem pessoal e social, trazendo desconfortos e sofrimento emocional, como esclarece a profissional.

Respeite as pausas: “Tudo o que foge do equilíbrio tende a gerar desgastes emocionais e comportamentais, ocasionando assim o sofrimento mental. Com o trabalho não é diferente”, alerta a psicóloga Cecília Chaves. Foto: Gustavo Weiss

Segundo Cecília, vários motivos podem desencadear o workaholismo, mas a necessidade de “dar conta” das tarefas que assume, a insegurança, o medo de sofrer críticas e julgamentos sobre sua atuação e o medo de não ter sucesso financeiro são os mais comuns. As mulheres são mais propensas a desenvolver este comportamento compulsivo. “Dentro do contexto social, o workaholismo pode se manifestar em ambos os sexos, porém a mulher acaba sofrendo mais os sintomas por sua carga horária tripla, ou seja, além da carga horária de trabalho excessiva, ainda tem as responsabilidades da casa e família”, enfatiza.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

No entanto, a psicóloga salienta que nem todo “amante” do trabalho (“worklover”) é workaholic. “Uma pessoa que ama o seu trabalho executará entre 10 e 12 horas por dia e não sentirá o desgaste e a pressão mental, pois o prazer proporcionará o equilíbrio necessário para o não adoecimento”, esclarece.

Por outro lado, quem sofre de compulsão apresenta dificuldade nas relações interpessoais, tendo seus relacionamentos prejudicados. “Dependendo da intensidade do sofrimento será preciso acompanhamento medicamentoso e psicológico, mas essa cura só ocorrerá se o sujeito se der conta desses prejuízos”, frisa Cecília, que, por atender muitos destes casos em sua clínica, elabora um projeto de criação de um grupo de apoio este ano.

 

Fonte: Revista Linda (Edição 123 – abril de 2018 / adaptado)

Texto: Gabriel Rodrigues

Revisão: Marielle Rodrigues de Oliveira

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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