Perdido em meio aos livros

Vivendo em um mundo de aparências, cheio de “sabe tudo” e “maria-vai-com-as-outras”, Juca não queria pertencer à mesma panelinha. Foi naquele silêncio de buscas, nos corredores vazios da biblioteca e seus livros esquecidos, que encontrou a resposta de tantos porquês. Andando, meio desordenado, transformou os pontos de interrogação que permeavam sua mente em sabedoria. Toda vez que parava por um instante, se encontrava ali pensando: “Quem é dono da verdade?”. De imediato, não achou nenhuma resposta, mas relutou. Afinal, não tinha nada a perder. Embora não tenha encontrado a resposta para essa dúvida, ele continua apreciando o valor de uma pergunta. Das poucas certezas que tinha, uma delas era incontestável: quanto mais questionava, mais dúvidas surgiam.

 

Com tantas vozes e ditos, podemos facilmente ser influenciados pelas pessoas a todo instante: “Faça isso, faça aquilo”, “seja isso, seja aquilo”. Independente de quem esteja com a razão, a verdade está no todo, não na parte. Ao analisarmos um fato ou julgar alguém, muitas vezes nos enganamos em tomar pequenas frações da realidade como verdade absoluta. Antes de apontar o dedo para os outros, ponha a mão na sua consciência. Empatia é uma das melhores características do ser humano. Todos nós devemos ser empáticos em todos os âmbitos da vida, assim podemos evitar rótulos, pré-julgamentos e pré-conceitos por desconhecimento ou estranheza. Colocar-se no lugar do outro é ato de respeito, consideração e reconhecimento de valor. Não é de se estranhar que não podemos fazer aos outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. 

Perdido em meio aos livros, ele finalmente se encontrou. À medida que as palavras iam se revelando bem na frente dos seus olhos, Juca foi teletransportado para outra realidade, para outro mundo. Mas permaneceu descontente em conformar-se com o seu próprio conhecimento. Então chegou à conclusão que a verdade é algo relativo, portanto, ninguém é detentor de supremacia, a ponto de nunca ser contrariado. Nas guinadas que a vida toma, aprendemos que a verdade não pertence a ninguém, nem é um prêmio conquistado por competição. Ela está diante de todos nós como algo a ser procurado e é encontrada por todos aqueles que têm desejo de saber. Mais perguntas, menos certezas.

 

“Pensar muito só pode causar problemas”.

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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