Paternidade tardia é problema? Veja histórias de pais aos 50

Assim como as mulheres têm filhos mais tarde, muitos homens também

Hoje não é difícil encontrar homens de 50, ou até 60 anos, carregando bebês no colo. As paternidades tardias são cada vez mais comuns e o que não lhes falta é disposição e amor para aproveitarem ao máximo cada momento com seus filhos. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de homens que se tornam pais após os 40 anos aumentou no mesmo passo que a expectativa de vida, que passou para 75,2 anos em 2014. Com mais tempo para garantir a estabilidade profissional e se dedicar à família, tornar-se pai maduro pode ser uma experiência ainda mais única e realizadora. Em entrevista, três pais contam suas histórias e falam das alegrias e desafios da paternidade tardia.

TRÊS FILHOS EM TRÊS DÉCADAS

O advogado e corretor de imóveis Cezar Machado Araújo, 59, foi pai pela primeira vez aos 30 anos, da dentista Rafaela Coelho Araújo, 30. Aos 40, no segundo casamento, Cezar tornou-se pai de Laura Dias Araújo, 14, estudante. Para completar a família veio ao mundo a Gabriela, 2. “O nascimento da Gabriela não foi planejado, mas muito festejado”, resume ele. “Todas as vezes que recebi a notícia que seria pai minha alegria foi indescritível, uma felicidade inexplicável”, conta.

Rafaela, Gabriela e Laura Araújo ao lado do pai Cezar. “Um filho após os 50 faz você querer curtir mais os momentos e não ficar pensando só em aposentadoria ou na idade”, disse. Foto: Reprodução

Para Cezar, ser pai é a maior realização do homem. “Na primeira vez, aos 30 anos, uma alegria com algum temor pela inexperiência. Na segunda vez, aos 40 anos, outra alegria com mais consciência. E aos 50 anos, uma alegria inesperada”, descreve. O corretor de imóveis admite que ser pai aos 50 é um grande compromisso, pois as diferenças irão aparecer mais rapidamente, mas garante que a sensação é totalmente diferente.

“Ter um filho na fase mais madura é renascer para a vida”. CEZAR ARAÚJO

ORGULHO DAS FILHAS

Mildo Léo Fenner, 58, advogado, tem duas filhas, a Nathália Fenner, 18, estudante de Publicidade e Propaganda, e Mariana, 4, aluna da escola Barão do Rio Branco, da qual se tornou pai após os 50 anos. “Minhas verdadeiras obras-primas”, orgulha-se Mildo, que se considera um homem sortudo. “Acho que tirei a sorte grande nesta vida. Tenho duas filhas lindas (loiríssimas) e uma esposa maravilhosa, que amo muito”, fala.

“Temos uma visão diferente do mundo. Somos mais experientes e amadurecidos, o que nos leva a ver a paternidade como uma missão divina e transcendental”, diz Mildo Fenner, ao lado das filhas Nathália e Mariana. Foto: Gabriel Rodrigues

PAI PARTICIPATIVO

Mildo ajuda a lavar a louça, arrumar a casa e a cuidar da filha caçula diariamente. Por isso acredita que hoje, de maneira geral, os pais são muito melhores do que antigamente porque valorizam o seu papel na família e estão lado a lado com as mães na criação dos filhos. “Quando a Mariana tinha três meses passei a acumular as funções de pai e mãe durante as noites, já que a Elis (esposa) ia à faculdade, e então dava comidinha, trocava fraldas, vestia o pijama e a colocava para dormir”, lembra. “Pai que é pai não tem vergonha de brincar de boneca com a filha e se emociona, bate palmas e vibra muito quando a vê dando seus primeiros passinhos. Pai que é pai erra, é claro, mas sempre quer acertar mais para oferecer mais”, entende.

“Sempre beijo e abraço minhas filhas. Mais do que patrimônio, riquezas e coisas fúteis que só servem para desavenças e ódios familiares, temos que deixar o que de melhor temos no coração”. MILDO FENNER

FAMÍLIA COMPLETA

Estão sempre juntos, não se separam por nada. Assim as pessoas viam o casal Paulo Ricardo Garcia Ortiz, 52, comerciante, e Rosana Silveira Ortiz, 43, professora. Paulo confidencia que, na verdade, tanto ele quanto a esposa sempre levaram uma vida muito focada no trabalho. “Isso não quer dizer que não tínhamos tempo para aproveitar a vida da nossa maneira, aquele simples mate no final da tarde, umas boas risadas, algumas viagens…”, justifica. O tempo foi passando e Paulo, que sempre gostou de crianças, ficava olhando os pais felizes com seus filhos e ao mesmo tempo tinha em mente que a vida do casal era boa como estava. O que ele não esperava é que a vida podia ficar melhor ainda: tornar-se pai de Maria Paula, nascida no último dia 5 de julho. “Fui pai nesta idade por um olhar de Deus, que nos abençoou mais uma vez”, afirma.

“Não tínhamos filhos e éramos tocados de felicidade e alegria, mas agora é algo mágico, como um anjo que chegou a nossas vidas”, fala Paulo Ortiz, com a sua Maria Paula. Foto: Gabriel Rodrigues

Paulo nunca foi cobrado por não ter sido pais mais cedo, recebendo apenas alguns conselhos de amigos e a torcida da família. “Acredito muito no tempo de Deus, se foi para ser agora, este é o meu tempo certo. Quero me cuidar para poder amar e cuidar deste presente que nos foi concedido, ensinando-a o lado do bem”, declara.

PALAVRA DE PROFISSIONAL

O médico urologista Lauderi Luiz Ladwig, 63, sendo 40 anos de atuação, explica que o homem pode ser pai desde jovem até encerrar a atividade sexual, mas a melhor idade é aquela em que ele se considera apto, e quer ter filhos, para ser um pai responsável, criando e educando seus filhos nas melhores condições. “Isto pode ser com 20, 30, 40 ou 50 anos”, observa. No entanto, do ponto de vista médico, o ideal é que o homem deva ter filhos enquanto jovem porque com o avanço da idade, após os 40 anos, as chances de ocorrerem alterações genéticas dos espermatozoides está aumentada, podendo gerar filhos com síndromes e anomalias. “Exemplo disto é a síndrome de Down. Esta possibilidade se agrava quando a mãe também tem idade mais avançada”, ressalta.

Do ponto de vista médico, o ideal é que o homem deva ter filhos enquanto jovem, adverte o urologista Lauderi Ladwig. Foto: Gabriel Rodrigues

Lauderi lembra que a fertilidade diminui bastante a partir dos 40 anos e por isto é aconselhável tentar gravidez mais cedo. “No caso de não consegui-la, possibilita o diagnóstico da infertilidade mais precoce, dando a chance de melhor investigação e tratamento adequado. A infertilidade deve ter abordagem do casal, já que em 30% dos casos o fator masculino é a causa isoladamente e em 20 a 30% está associado ao fator feminino”, finaliza.

Foto de capa: Kyle Head/ Unsplash

Fonte: Revista Linda (Edição 105 – agosto de 2016 / adaptado).

Texto: Gabriel Rodrigues

Revisão: Marielle Rodrigues de Oliveira

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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