A ditadura e a luta pela democracia no Brasil

Após 33 anos do fim da ditadura, democracia resiste. Semana é marcada pelos 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

No dia em que se completa 50 anos da decretação do AI-5, o mais violento ato do golpe militar, parte do povo comemora o desconhecimento de sua própria história e relativiza o passado. A época atribuída ao crescimento econômico defendida por algozes e incólumes tenta sufocar os milhares de mortos, torturados e desaparecidos revelados ainda hoje. Documentos oficias – como os da CIA – reafirmam as execuções autorizadas em outrora. Além da herença da corrupção desenfreada e latente. Há de se reconhecer a distinção entre ordem e progresso com opressão, repressão e autoritarismo. O saudosismo e o fomento ao retrocesso. Eis a importância de reconhecer o passado para não repeti-lo.

Os movimentos sociais, estudantis, culturais, os professores, jornalistas, artistas e todos cidadãos que lutaram a favor da democracia foram censurados e vítimas de coação. A quem há de interessar que esse passado seja modificado neste cenário atual? Os livros de história revisados, o desmonte da educação brasileira e a tomada de direitos, programas e bolsas sociais, sobretudo das minorias?

Estudante de Medicina perseguido por policiais durante a ditadura cai na Cinelândia, no Rio de Janeiro. (Foto: Evandro Teixeira)

Os professores, a classe mais importante de uma sociedade que a duras penas sustenta o compromisso de formar cidadãos mais conscientes, e os jornalistas, os quais devem fazer jus como porta-vozes do povo, seguem perseguidos, ameaçados e hostilizados. A máquina de fake news importada da campanha à lá Trump e Steve Bannon nos EUA e aplicada no Brasil provoca um ruptura dos meios tradicionais de ensino e acesso à informação, com isso a confusão generalizada e a desestabilização do pensamento crítico.

O ensaio sobre a cegueira, o movimento chantagista, fundamentalista, elitista e falacioso, a política do ódio, a deturpação da história e da religião, a desinformação, a intolerância e a discriminação social, racial e sexual, a sustentação da parcialidade, a disseminação de práticas antidemocráticas e inconstitucionais, a banalização da violência, o menosprezo dos direitos humanos e da justiça social, a falta de consciência de classe e a idolatria de políticos cavam a democracia – a soberania exercida pelo povo.

Este golpe político-institucional apoiado pela mídia e por grande parte do povo enganado e manipulado que serviu e serve de massa de manobra, entregue à mercê das vontades de quem sempre exerceu poder de influência no país: a Casa-grande, a elite branca e as grandes corporações, em paralelo à submissão e dependência das classes minoritárias, à imposição dos dogmas religiosos, à soberania militar, ao conservadorismo nato, ao Brasil-colônia dos EUA e a busca do país norte-americano pelo hegemonia econômica na caça às riquezas da América Latina. Alinha-se o Brasil à guerra do petróleo entre EUA e Venezuela – país comparado à realidade brasileira de forma ardilosa. A Rússia, a China e o Irã, por sua vez, tornaram-se escudos da Venezuela.

Enquanto a reforma da Previdência privilegia a parcela mais rica da população, há o aprofundamento da desigualdade social: em um ano, aumentou em quase 2 milhões o número de brasileiros em situação de pobreza, segundo o IBGE. A luta de classes e o paradigma da meritocracia, a flexibilização das leis trabalhistas, o aumento da informalidade, a precariedade da classe trabalhadora e a maximização do lucro, culminando na extinção da pasta do Ministério do Trabalho.

Mais uma vez, a revolução será toda proletária, negra, estudantil, feminista e popular. #DitaduraNuncaMais #MariellePresente

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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