Distimia: a doença do mau humor

Reclamar demais pode ser sinal de doença, alerta psicóloga

O Zangado, um dos sete anões da Branca de Neve, está sempre reclamando e com cara de mau humor, mas há muitas pessoas assim no mundo real, e isso pode ser sinal de uma doença chamada distimia. A psicóloga Jociane Pereira Stracke 46, especialista em saúde do idoso, gerontologia e terapia cognitivo comportamental, sendo 14 anos de atuação, explica que essa forma crônica de depressão de moderada intensidade provoca uma alteração grave no humor. “A pessoa fica comprometida para realizar atividades domésticas e do trabalho, mas não incapacitada de realizá-las, como na depressão”, esclarece. Segundo a profissional, essas pessoas estão sempre irritadas, reclamando de tudo, e só enxergam o lado negativo das coisas. “Na maior parte das vezes tudo fica por conta de sua personalidade e temperamento complicado”, resume.

“Na infância, a distimia acomete igualmente meninos e meninas, mas nas outras fases é mais comum em mulheres (duas vezes mais afetadas do que os homens)”, alerta a psicóloga

2 PERGUNTAS PARA JOCIANE

1) O QUE OS FAMILIARES PODEM FAZER PARA AJUDAR?

“Não há nenhuma maneira de evitar a distimia. Se tiver familiares com sintomas de depressão ou distimia, também como algum transtorno mental, fique atento ao seu temperamento e comportamento e não deixe de procurar e pedir ajuda”.

2) HÁ TRATAMENTO NESTE CASO?

“Sim, a distimia pode ser tratada, pois indo a um psiquiatra este utilizará de fármacos que auxiliarão no controle dos sintomas da doença, o que é bem eficaz. Mas, ressalta-se que a associação da psicoterapia no tratamento promoverá uma mudança de comportamento do sujeito onde este terá a possibilidade de se conhecer, revisar sua postura, tomar decisões sem padrões negativos, melhorar sua capacidade de funcionar em situações sociais, interpessoais e de trabalho, etc”.

A CAUSA DA DISTIMIA

Embora se desconheça a causa exata da distimia, essa doença pode ser semelhante à depressão tradicional, incluindo três fatores: genéticos (mais comum em pessoas com grau sanguíneo de parentesco), bioquímicos (mudanças físicas no cérebro) e ambientais (alto nível de estresse, perda de um ente querido, necessidade de aprovação do outro, problemas financeiros e de relacionamentos, etc).

SAIBA MAIS

Só no Brasil existem de 5 a 11 milhões de pessoas que sofrem desse mal. Elas são 3% a 6% da população mundial de acordo com a Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos de Humor (Abrata). Fonte: Jociane Stracke.

 

Fonte: Revista Linda (Edição 112 – abril de 2017).

Texto: Gabriel Rodrigues

Revisão: Marielle Rodrigues de Oliveira.

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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