Apresentadora do Lollapalooza na Globo, MariMoon dá cinco dicas para curtir o festival

Neste fim de semana o festival Lollapalooza vai tremer o Autódromo de Interlagos em São Paulo. Durante os dois dias de evento, o público pode conferir mais de 40 atrações internacionais e nacionais, como Metallica, The Chainsmokers, The Strokes, Martin Garrix, The Weeknd, MØ, Criolo, Suricato e BaianaSystem. Esse é o maior festival de música alternativa da América Latina, que neste ano chega à sua sexta edição. 
 
A Rede Globo vai transmitir os melhores momentos do Lollapalooza com apresentação da blogueira MariMoon. O especial vai ao ar neste sábado (25) após o programa Altas Horas às 0h25, e no domingo (26), depois do Domingo Maior, às 0h15. No sábado seguinte, dia 1º de abril, a Globo exibe um compilado dos shows após Supercine, na faixa das 2h20. Essa é a segunda vez consecutiva que MariMoon comanda o festival na telinha. Em entrevista exclusiva ao Tudo Improviso, a apresentadora fala sobre carreira e vida pessoal, comenta o Lollapalooza e dá dicas para aproveitar ao máximo o festival.

 

QUEM É MARIMOON
 
A paulistana Mariana de Souza Alves Lima, 34, conhecida pelo nome artístico de MariMoon, ganhou fama na internet no início dos anos 2000, tornando-se a primeira influenciadora digital do Brasil a migrar para a TV, quando assumiu o posto de apresentadora na extinta MTV em 2008, logo depois de ter sido nomeada embaixadora da marca de calçados Melissa. MariMoon ficou conhecida em todo o país no comando dos programas Scrap MTV e Acesso MTV, ao lado da gaúcha Titi Müller, até pouco tempo antes do fechamento da emissora. Com mais de 3,7 milhões de seguidores nas redes sociais, a garota dos cabelos coloridos se tornou referência na web e virou ídolo teen, abordando temas como moda, arte, cultura, comportamento, música e tecnologia. Atualmente está presente na Globo, Multishow e no Canal do Cliente SKYConfira na íntegra o bate-papo com MariMoon:

1) O que o público pode esperar desta edição do Lollapalooza?

 
MM: O Lollapalooza é um festival que mistura super bem estilos (tem r&b, rap, indie pop, heavy metal, mpb, vintage pop anos 80…) e artistas com nomes grandes a pequenos, gente que já veio e gente que tá pisando aqui pela primeira vez…. E o bom disso é que podemos esperar também uma ótima mistura de público! Esse ano tem a super banda de heavy metal Metallica trazendo o álbum que dizem ser o melhor trabalho recente deles, tem os ingleses do The XX que tem um som muito doido e um último disco lindíssimo pra mostrar, tem também muita música eletrônica com DJs/produtores como Flume, The Chainsmokers, Nervo, Marshmello… Enfim, uma mistura bem gostosa! 
 
(Reprodução/ Instagram)
 
2) “Celular deixou público comportado. Eu sempre acho que as pessoas vão se arrepender de não guardar o show no coração ao invés de guardar no celular”, disse James Hetfield, vocalista e guitarrista do Metallica, uma das grandes atrações do Lollapalooza, em entrevista ao programa Fantástico, da Rede Globo. Você, que é uma das maiores influenciadoras digitais do Brasil, concorda com esta declaração?
 
MM: Eu, mais do que ninguém, entendo a vontade que a galera tem de registrar cada momento. Acho que vale usar o celular também pra fazer luzinha na hora de cantar a sua música preferida e também, é claro, postar um pouquinho no story pra registrar no seu diário, mas não tem sentido gravar uma música inteira, por exemplo. A qualidade fica péssima e se quiser rever o show, certamente vai achar na internet uma versão bem gravada pelos canais de TV. Acho que o que ele quis dizer é que a magia do show é viver aquele momento e isso você não consegue registrar com o celular. Vale a dica!
 
3) Qual é o show mais aguardado por você no Lollapalooza? Falando nisso, tem algum músico ou banda que nunca esteve no palco do festival e você sente falta?
 
MM: Eu poderia dizer que The XX é uma banda que eu estou ansiosa pra assistir, porque nunca os vi ao vivo. Eles já vieram ao Brasil, mas eu não pude ir. Eu falei um pouco  sobre eles e outras atrações que eu acho imperdíveis desse Lollapalooza lá no meu canal youtube.com/MariMoon. Vale a pena conferir! 
 
Eu queria muito que a Lana Del Rey tivesse vindo. Como ela vai estar no Lolla de Paris, achei que ela podia ter vindo matar a saudade dos fãs brazucas! 
 
4) Quem vai no Lollapalooza pela primeira vez, o que não pode deixar de levar? Dê sugestões de como aproveitar ao máximo o evento.
 

MM: Acho que o principal é se precaver e alinhar o look com o clima. Como o outono chegou com força, se prepare pro friozinho. Mas sempre monte um look mais descolado e livre, pra poder sentar no chão e dançar a vontade. Calçados sempre super confortáveis pros pés não tirarem o seu bom humor. Beba muita água e, se for chegar durante o dia, passe e leve protetor solar! Outra boa ideia é já olhar bem o lineup e fazer um planejamento das atrações que você não quer perder, tudo anotado com horário dos shows, nomes dos palcos, essas coisas porque o evento é enorme e demora um tempão pra atravessar de um lado pro outro. Do mais, leve boas vibrações e muito fôlego pra curtir ao máximo!

 (Reprodução/ Facebook)

 

5) É perceptível a sua mudança desde os tempos de MTV. Você emagreceu, diminuiu as cores dos cabelos e começou a fazer declarações mais intimistas, tornando pública a sua luta contra a depressão, além de assumir a bissexualidade e posar nua. Você acredita que esta mudança foi provocada com a sua saída da emissora? Quais são as consequências disso na sua vida pessoal e profissional?
 
MM: Uhmmm, na verdade a primeira vez que eu falei publicamente que era bissexual foi em 2003 numa revista e depois em rede nacional em 2006 na Mtv (no vidalog antes mesmo de virar VJ), daí falei de novo em diversas entrevistas. 
 
Na mesma época que eu saí da Mtv (fim de 2012) eu também resolvi parar de tomar anticoncepcional por motivos de saúde. Eu sofro de uma doença chamada “Síndrome do Ovário Policístico”, que desregula os hormônios e causa muitas muitas espinhas entre outros problemas chatos. Eu tomava as pílulas pra melhorar a aparência da pele, e como eu tinha saído da TV eu resolvi tentar um detox (tomei pílula dos 14 aos 30). Essa escolha exigiu de mim uma vida mais regrada, pra tentar controlar a doença de outra maneira. Fui meio que obrigada a me alimentar melhor, praticar mais exercícios e comecei a cuidar não só do corpo, mas da mente e da alma. Muita meditação e muitos estudos! Foi ótimo.
 

Sobre a depressão, eu sofro disso há muito muito tempo, mas decidi que só ia falar sobre o assunto quando eu tivesse capacidade de orientar as pessoas para alguma saída. Eu tenho muita gente prestando atenção no que eu falo e eu quero o melhor pra eles sempre, então quando senti que estava melhor e pronta pra falar, me abri sobre o assunto. Aos poucos estou compartilhando com eles o que eu estou encontrando como o meu caminho. 

(Reprodução/ Facebook)
 
Nesse processo todo eu tenho trabalhado bastante com a minha auto estima e amor próprio. Lá no começo dos anos 2000 eu descobri e desenvolvi isso através das selfies (ainda não tinha esse nome) numa época em que ainda havia muita crítica (o famoso “ai, você se acha, né? menos, queridinha… menos…” que é o maior boicote ao amor próprio). Considerando também que eu cresci num ambiente muito artístico e sempre amei os retratos artísticos da nudez humana, acho que era natural desejar fazer um nu artístico meu. Eu já tinha feito muitos nudes particulares (é ótimo para se conhecer melhor), mas nunca com um fotógrafo e muito menos publicado pro mundo. Mas como eu já estava bem melhor comigo mesma, estava corajosa e forte o suficiente pra encarar as críticas, aceitei o convite do fantástico Fernando Schlaepfer, um fotógrafo que eu sempre admirei e que estava desenvolvendo o projeto #365nus que é simplesmente maravilhoso. E o ensaio me fortaleceu mais ainda!
MariMoon posa nua no deserto de Death Valley, Califórnia (Reprodução/ Instagram)
 
O cabelo tá com menos cor porque esse é o estilo eu ainda não tinha explorado até agora (nesses 15 anos de cabelo rainbow). Me bateu uma saudade e curiosidade de ver meu cabelo de verdade e eu fiquei a fim de ter esse mix de colorido com natural. Alguma hora ele vai começar a ficar branco, então eu preciso aproveitar, né?
 
Resumindo à sua pergunta, a verdade é que eu sempre vivi em meio a muita turbulência, muita desconstrução, muita reconstrução e isso continua em processo. É meio sofrido, mas é através da evolução que a gente se fortalece. Precisa sair da zona de conforto pra chegar num lugar melhor.
 
6) A audiência da antiga MTV era basicamente jovem, e o seu público também. Mas quem lhe acompanhava naquela época, hoje já deixou a adolescência. Como é amadurecer junto com o seu público e conseguir se manter na mídia em todos esses anos sem perder a sua essência?
 

MM: É maravilhoso ver que muitos ainda me acompanham e me apoiam em todos os trabalhos que faço e que tem um público novo chegando também. Todos nós amadurecemos, eu e eles. O tempo passou e eu ainda sou fiel a minha essência, independente da cor do cabelo ou do estilo de roupa, não mudei pra agradar, não tentei fazer algo que não tinha a ver comigo, mas ao mesmo tempo fiz muitas muitas coisas diferentes. A galera entende isso, admira minha postura e depois de todos esses anos de internet e Mtv a gente sempre se encontra. Seja na internet ou pessoalmente. 

(Reprodução/ Facebook)
 
Hoje eles estão trabalhando e eu fico super orgulhosa quando vejo eles todos maduros com suas carreiras, realizando seus sonhos. Muitos me agradecem por ajuda-los a se aceitar, por ajuda-los a sair do armário, a lidar com dificuldades da vida, enfim… Cada um tem uma história e eu fico super feliz de verdade por ter ajudado de algum jeito. Se eu puder continuar na vida deles de alguma maneira, melhor ainda! Sem falar que eu me sinto mais a vontade pra falar de assunto mais maduros também! Sinto que ainda estou descobrindo isso tudo nas minhas redes, que é onde estamos em contato. Escrevo muitas coisas profundas no instagram e estou aprendendo aos poucos a usar o youtube pra falar algumas coisas também. É que eu sou da geração blog, então pra mim sai mais fácil quando eu escrevo. 
 
7) Você é tida por muitos como uma referência de coragem e liberdade. É fácil representar “o diferente” num meio tão padronizado como é a televisão? Afinal de contas, é raro ver apresentadoras de cabelos coloridos em programas na TV aberta, ainda mais no Brasil – acredito que você seja a única aqui. Como é enfrentar este desafio?
 
MM: Na minha vida eu sempre tive que lidar com essa questão de ser diferente. Você já deve ter me visto falar sobre bullying… Mas eu tive o Tim Burton pra me dizer com seus filmes que os seres exóticos e diferentes muitas vezes são os mais legais e que a sociedade faz escolhas bem equivocadas que devem sim ser questionadas. 
 
Infelizmente o diferente é normalmente excluído ou obrigado pela sociedade a mudar para se encaixar. Eu ouvi a vida toda que eu estava errada de ser assim, que devia ser igual à maioria, tive assessores dizendo que eu devia ficar loira, figurinistas tentando mudar meu estilo, sempre tem alguém querendo me mudar pra me encaixar e diversas vezes eu cheguei a me questionar se eu devia. Mas hoje em dia as coisas mudaram muito. Ter cabelo colorido é algo mais comum e o meu estilo, que era esquisito, hoje já é tendência, falar de diversidade e empoderamento feminino é quase mandatório. Ainda bem! 
 
(Reprodução/ Facebook)

E agora que há mais referências do meu universo, as pessoas conseguem bater o olho e me conectar mais facilmente com o os assuntos que eu falo: festivais de música, moda alternativa, girl power, diversidade, consciência socio-ambiental, etc. Vejo isso de maneira positiva. A Globo tá me colocando lá pra apresentar sozinha um programa de música, isso é uma grande prova de que o diferente se tornou interessante.
 
8) Por outro lado, a internet está mudando o comportamento da sociedade com o acesso à informação, redefinindo conceitos e mudando a forma de pensar (ou pelo menos, assim deveria ser). Com o rumo que a humanidade está tomando, como você enxerga a geração de jovens no futuro?
 
MM: A tecnologia é uma arma que pode ser usada pro bem ou pro mal. A internet pode te trazer informação, cursos gratuitos, aproximar minorias, unir pessoas para refletir e criar soluções ambientais e políticas. Mas também pode alienar, isolar, estimular um consumo desenfreado, inveja, etc. Mas prefiro acreditar que cada vez mais tem gente usando essa ferramenta incrível pra evoluir, mudar o mundo, salvar o planeta, ajudar os outros e viver melhor como sociedade. Nunca se falou tanto em empoderamento, em diversidade, em alimentação saudável, em escolhas socio-ambientais… São muitas petições sendo divulgadas, os consumidores exigindo negros e casais gays nas publicidades, criticando posicionamentos machistas até a empresa mudar totalmente a postura como foi com a Skol, ou pedindo o fim de testes em animais como foi com a Lush que hoje é o extremo oposto. Eu prefiro acreditar que vai dar tudo certo!
 
9) Recentemente você entrevistou o ator Hugh Jackman, o Wolverine de X-Man, que veio ao Brasil anunciar Logan, seu último filme no papel do personagem. Como foi a experiência de conhecê-lo pessoalmente? Aproveite para contar qual foi a entrevista mais importante que você já fez na sua vida e quem mais lhe surpreendeu positivamente durante o papo. 
 
MM: Foi uma delícia! Eu sempre fui fã do Wolverine desde pequena e acho que ele é, de todo o elenco, um dos que mais representou com fidelidade. O Hugh é um amor, foi um querido com todos que o entrevistaram e eu tive a oportunidade de entregar a ele uma geléia caseira de tangerina da minha família. Ele disse que é justamente o que mais gosta de comer no café da manhã. Fico aqui agora imaginando ele comendo a geléia no café da manhã! Hahhaha!!! Foi demais. É ótimo quando o entrevistado está curtindo a entrevista. Outra entrevista que teve um ótimo resultado foi com o elenco de “O Lar das Crianças Peculiares” do Tim Burton, que eu fiz lá no Youtube Space de Londres. Entreguei a eles doces brasileiros e todos curtiram demais. 
 
10) Mari, que novidades você pode adiantar para os fãs neste ano?

MM:
Ixe. Não tenho nada que eu possa adiantar. Esse ano eu sigo como apresentadora da Sky e do Lollapalooza na Globo. Meu youtube tá lá com 2 videos por semana, meu instagram eu estou fazendo bastante story agora e como sempre vou viajar bastante, hehehe. Mais um ano na incrível vida de MariMoon!  
 
11) Para encerrar a entrevista, tem algo que você aprendeu recentemente e gostaria de compartilhar?
 
MM: Independente de como você entenda essa fonte de vida do universo… Deus? Mãe Natureza? Enfim. Ela está fluindo energia pra dentro de você (é o que te faz vivo) e me parece que, como uma torneira, você pode aumentar ou reduzir o fluxo. Nesse período turbulento de muitas reestruturações eu aprendi que algumas coisas aumentam esse fluxo, te fazendo sentir melhor e atraindo mais coisas boas pra sua vida. Um corpo mais saudável (alimentação, exercícios, hidratação), uma mente mais tranquila (meditação, terapias, estudos sobre o assunto) e agradecimento (faça uma lista, das coisas mais importantes às mais bobas) certamente abrem mais essa torneira. Eu li muito que é mais fácil melhorar o universo ao nosso redor se a gente melhorar o universo interior. Eu comecei a entender melhor essa frase nos últimos anos. Faz todo sentido. Então se você quer ter uma vida melhor pra si e viver numa sociedade mais agradável, pode começar por aí.
 

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Você encontra tudo no meu site: marimoon.com.br
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E a página do facebook: facebook.com/MariMoonOficial.
 
VOCÊ SABIA?
 

Se você assistiu à animação Detona Ralph da Disney, deve ter percebido que a voz da protagonista Vanellope Von Schweetz na versão dublada é de MariMoon. O diretor Rich Moore confirmou a sequência do filme e traz a blogueira de novo dublando a personagem. O filme tem data de lançamento prevista para 9 de março de 2018 nos EUA.

Veja abaixo mais fotos recentes de MariMoon:
 
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MariMoon em estrada da Califórnia (Reprodução/ Instagram)
 
 
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Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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