5 experiências inusitadas viajando pelo mundo

Conheça as histórias e dicas de viajantes que deram a volta ao mundo

O sonho de muita gente é ter o passaporte cheio de carimbos, afinal de contas, viajar é uma oportunidade de conhecer pessoas e lugares diferentes, ampliar horizontes, ter contato com outras culturas, aprender idiomas e viver novas histórias. Em Cachoeira do Sul (RS) temos bons exemplos de conterrâneos que se aventuraram mundo afora e acumulam experiências únicas, dignas de um roteiro de filme. Quatro leitores viveram experiências surpreendentes e nos contam tudo o que aconteceu.

LUGAR INCOMUM

Você já imaginou visitar um lugar que pouca gente conhece? Sem dúvida este é um privilégio para poucos, e uma cachoeirense realizou este feito. Em maio deste ano, a engenheira de plásticos Daniele Faccin Hubner, 43, e seu marido André Ferrari Cogorni, 38, engenheiro mecânico, fizeram uma trilha no complexo arqueológico de Choquequirao, a “irmã” menos conhecida de Machu Picchu em Cuzco, no Peru.

Situada a 3,1 mil metros acima do nível do mar, estas ruínas esplendorosas, cujo nome significa “berço de ouro” no idioma quíchua (de origem indígena, falada por alguns povos da América do Sul), foram esculpidas em pedra pelos Incas, onde eram realizados cultos políticos e religiosos e guardavam riquezas do mundo antigo. “A escavação e restauração começaram na década de 90, e estima-se que apenas 40% do sítio arqueológico de dois mil hectares tenha sido restaurado até hoje. É uma clássica cidade inca, com setores sagrados, templos ritualísticos, astronômicos, urbanísticos e agrícolas”, descreve Daniele.

Daniele e André em Choquequirao, uma alternativa de turismo no Peru. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

AGORA É A VEZ DE CHOQUEQUIRAO

Segundo a engenheira, o turismo no país está centrado em Macchu Picchu, mas em breve deve se voltar ao Choquequirao, pois lá, como ela disse, maior segurança e investimento em infraestrutura é algo previsto pelo Governo. Neste sítio arqueológico há um projeto de instalação de um teleférico como via de acesso, bem como a construção das estações de partida e de chegada. “Isso vai facilitar a vida dos turistas, pois o local é de difícil acesso”, destaca.

“Enquanto Macchu Picchu recebe em média 2 mil visitantes por dia, Choquequirao recebe cerca de 20 pessoas. Isso se deve ao fato de que Choquequirao só pode ser acessada via trilha de montanha, em uma viagem de 4 dias com pouca estrutura, preparando a própria comida e dormindo em barraca”, explica.

Vista das ruínas de Choquequirao, no Peru. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

UM CARDÁPIO EXÓTICO

Por conta da profissão de cuteleiro, o advogado Sandro Eduardo Boeck, 41, vem rodando o mundo nos últimos anos através de exposições ligadas às facas que produz e comercializa. Sandro já visitou o Uruguai, a Argentina, o Paraguai, o Chile, os Estados Unidos, a Itália, a China e a África do Sul.

Mas, para ele, o que mais surpreendeu foram os pratos “estranhos” das culinárias chinesa e africana. “Na China, desde o café da manhã parecia uma refeição completa, com direito a ovos chocos cozidos, cabeça e pés de galinha fritos. Na África, comi muitas carnes exóticas, tive a oportunidade de fazer um churrasco com carnes de animais locais”, conta. Do outro lado do mundo, sem dominar o idioma local, Sandro enfrentou alguns imprevistos. “Falavam ‘duck’ (pato, em inglês) e entendíamos ‘dog’, e eu falando que não comia cachorro, muito hilário”, recorda-se. “Em outro jantar típico, onde fomos convidados para um dos melhores restaurantes de Pequim, passei muito trabalho por não entender a forma de se servir e o que era cada prato vivo”, disse.

Segundo o cuteleiro, no interior da China não é de se estranhar se você for visto com certa surpresa. “Não é muito comum ver turistas por lá, tem de se acostumar a se sentir como algo em exibição, com crianças apontando para você, pois elas não são tão acostumadas a pessoas de origem ocidental”, explica ele.

“Aos EUA já fui três vezes e vou voltar muito. Na Itália vou voltar com certeza. Na China quero conhecer mais o interior”, fala Sandro, em foto na Muralha. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

DICAS DE ROTEIRO

“Nos EUA tem muita coisa para quem gosta de aventura, desde praia até montanhas. No Uruguai e Argentina, visitar os pampas e desfrutar suas tradições é muito legal. Chile tem muitos lugares bonitos, a casa de Pablo Neruda é um ponto a parte. Na Itália, conhecer o Velho Mundo, as catedrais e suas esculturas, as pinturas e esculturas de Leonardo é imperdível. Na China tem de se visitar a Muralha e sua imponência. Na África, fazer um safári, nem que seja fotográfico, tem uma beleza extrema”. Sandro Boeck

MOCHILÃO PELA AMÉRICA DO SUL

A estudante e estagiária de Direito Manoela Soares Pinto, 22, e o namorado André Lucas Morais de Oliveira, 25, conheceram juntos mais de cinco países da América do Sul, como o Paraguai, o Chile e a Argentina. A primeira viagem do casal foi para o Uruguai, em comemoração ao primeiro mês de namoro, mas foi o Chile que conquistou o seu coração. “O país possui uma diversidade cultural incrível, de neve até o Deserto do Atacama. Fiquei muito surpreendida com a segurança em andar na rua, como as pessoas são gentis e a recepção foi muito calorosa. Posso dizer que de todas as viagens que fiz, foi onde mais me senti ‘em casa’”, fala Manoela.

Fãs do Chile, Manoela e André recomendam ir à Ilha de Páscoa conhecer as esculturas milenares. “Nos faz pensar muito sobre os povos antigos”, contam eles. Na foto, em frente ao Museu de Arqueologia e História Francisco Fonck. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

LHAMAS, CRUSTÁCEOS E ASSALTO

Apaixonada por lhamas, Manoela realizou o sonho de ver um desses animais de perto. “Foi incrível ter conhecido. Parecia uma criança novamente”, diz. Foi no Chile também que o casal pôde experimentar diversos pratos do mar por conta da Patagônia Chilena. O destaque ficou com a centolla, uma espécie de caranguejo gigante tipicamente servido naquele país. O maior susto ocorreu na Argentina, quando Manoela sofreu um assalto no aeroporto. Mas o incidente teve um final feliz: “Em menos de três horas estava com minha bolsa de volta e todos os meus documentos. Perdi um pouco de dinheiro, mas no fim tudo deu certo”, lembra.

CASAL AVENTUREIRO

O mundo é a minha casa. Essa frase descreve perfeitamente a aposentada Ana Lucia Brandes Both, 60, e Mario César Both, 63, médico cardiologista, que juntos fizeram a primeira viagem internacional tendo como destino a Europa. “Fizemos todos os trechos de trem durante um mês e visitamos diversos países”, recorda-se Ana. Desde aí o casal nunca mais parou de viajar pelo mundo, tanto que já percorreu mais de 20 países, como os EUA, a Holanda e a Suécia, sem falar nos diversos estados brasileiros que esteve. Mas a vontade de fazer novas viagens não acaba por aí: “Temos vontade de voltar a todos”, falam.

Uma das atividades prediletas do casal em viagens ao exterior é provar iguarias nos mercados públicos, no entanto, nem todos os pratos típicos conseguiu encarar. “Não tivemos coragem de experimentar, por exemplo, porquinho-da-índia no Peru, carne de baleia na Noruega e linguiça de tripas na França”, lembram.

DESBRAVANDO A ESCÓCIA

Em sua última viagem, no final de janeiro, Ana e Mario visitaram a Escócia, no Reino Unido. Terra de muitos castelos, por lá eles conheceram o Castelo de Urquhart, às margens do misterioso Lago Ness, na cidade de Inverness, e o Castelo de Stirling, na beira do Rio Forth, em Stirling. Também viram de perto o famoso Castelo de Edimburgo, cartão-postal da Escócia. “Neste castelo há um cemitério dos cães dos soldados. Nunca havia encontrado algum, e como gosto muito de cães me emocionei e achei lindo este reconhecimento e homenagem”, comenta Ana.

Ana e Mario no Castelo de Urquhart, às margens do Lago Ness, na Escócia. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

EXPERIÊNCIAS E LEMBRANÇAS ESPECIAIS

Segundo Ana, para quem gosta de viajar, todos os programas são imperdíveis, mas alguns lugares e atrações são paradas obrigatórias. “Você pode pescar salmão no Alasca, mergulhar com tubarões e arraias no Taiti (Polinésia Francesa), andar de trenó puxado por cães na Noruega (Europa), subir uma escarpa em Santorini (Grécia) montado num burro, pedalar 37 quilômetros para visitar fazendas de queijos na Holanda (Europa), esperar o pôr do sol velejando em Paraty (Rio de Janeiro) ou simplesmente explorar cada lugar caminhando”.

Colecionadora de chapéus e cardápios que traz de cada viagem, Ana ressalta a importância de conhecer diferentes culturas. “A cultura árabe, com suas mesquitas e chamados para orações, a felicidade dos taitianos levando uma vida super simples, o respeito pela natureza no Alasca…”, indica.

Ana Both e Mario assistindo a aurora boreal na Noruega. “O mais marcante foi ter o privilégio de ver a aurora boreal. Um acontecimento que depende dos ‘caprichos’ da natureza e que não se mostra a todos que procuram”, conta Ana. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

PÂNICO EM PARIS

Depois que ganhou uma bolsa para cursar mestrado na Faculdade de Medicina de Córdoba (UCO), na Espanha, Maurício Rezende, 30, empresário e fisioterapeuta, não parou de percorrer o mundo. Seu passaporte é carimbado com 14 países, tendo alguns apuros marcados na memória, como ter que enfrentar pratos esquisitos no Marrocos (África). Na sua última visita a Paris, em novembro de 2015, Maurício chegou com a sua mãe um dia após o atentado na casa de shows Bataclan. “A cidade estava em pânico, com policiais em todos os lugares, segurança máxima… Assustou um pouco, principalmente minha mãe, pois era sua primeira viagem internacional”, lembra. Apesar disso, Maurício fala que voltaria a esses países. “Em todos encontrei algo diferente que deixou saudades”, assegura.

Mauricio num dos cartões postais mais famosos do mundo: Torre Eiffel. Crédito da foto: Reprodução/ Divulgação

VOCÊ SABIA?

Em quase toda Europa não existem cobradores de ônibus, nem nos metrôs. Em alguns lugares nem caixa de supermercado. “As pessoas, por consciência, vão até o local e passam cartão, e caso sejam pegas roubando as leis e as multas são bastante rígidas. Conseguem imaginar isso no Brasil? (risos)”, questiona Maurício.

Foto de capa: Danka & Peter/ Unsplash

 

Fonte: Revista Linda (Edições 114 e 115 – junho e julho de 2017 / adaptado).

Texto: Gabriel Rodrigues

Revisão: Marielle Rodrigues de Oliveira

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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