115 anos do cinema em Cachoeira do Sul: de Cine Astral e Coliseu a Cine Via Sete

A história da sétima arte na cidade gaúcha berço de Eduardo Abelin, um dos precursores do cinema no Brasil

Quem vai ao cinema hoje em dia, nem imagina como eram as salas nos primeiros anos de exibição. Enquanto agora temos grandes estreias, com superproduções cinematográficas transmitidas via satélite pelas distribuidoras das mais diversas partes do mundo, antigamente as sessões eram movidas a fitas, e os filmes, por sua vez, eram simples e com efeitos especiais mal feitos. Nas décadas passadas, existiam também as matinês, exibições de filmes que eram realizadas no período da noite, à tarde e até na madrugada – tempos que marcaram a época de nossos pais e avós. Ao longo de sua história, o município de Cachoeira do Sul (RS) sediou muitas casas de cinema, destacando-se dois palácios estilo art-dèco: o Cine Teatro Coliseu e o Cine Ópera Astral, que mesmo desativados, continuam em pé até hoje. Na nova geração dos cinemas, é chegada a vez do Cine Via Sete. Pegue sua pipoca e conheça a história da sétima arte na região central do Rio Grande do Sul:

CINE ÓPERA ASTRAL

Precisamente em 29 de janeiro de 1953, às 15 horas, o projetor Gaumont Kalee 20, produzido pela Organização J. Arthur Rank, de Londres, o quarto então a ser instalado no Brasil, inaugurou a tela do Cine Ópera Astral com a exibição da comédia romântica Vênus Moderna, da Columbia Pictures. Pelo seu imponente prédio, localizado na Rua Júlio de Castilhos, desfilaram milhares de pessoas atraídas pelas exibições cinematográficas e de outros espetáculos, como o show do pianista norte-americano Ray Charles.

O Astral possuía 1.060 lugares distribuídos entre a plateia e a galeria e ganhou sobrevida em suas funções como casa de cinema graças ao Clube de Cinema, criado em 1997 pelos cinéfilos cachoeirenses, amantes da sétima arte que se recusavam a perder o “último palácio dos sonhos”. Mas o palácio não resistiu, fechando as suas portas e abrindo-as para mais um empreendimento comercial, pondo fim a uma história que vigorou durante 50 anos.

O engenheiro Hugo Schreiner supervisiona as obras do Cine Ópera Astral, em 13 de agosto de 1951. Foto: blog História de Cachoeira do Sul/ Divulgação

O prédio sendo erguido, em 18 de dezembro de 1951. Foto: blog História de Cachoeira do Sul/ Divulgação 

Avenida das Paineiras (atual Rua Sete de Setembro) defronte ao Cine Astral. Foto: Benjamin Camozato/ Divulgação

Cine Astral no início dos anos 2000, completando 50 anos de funcionamento. Foto: Renato Thomsen/ Divulgação

Fachada do Cine Astral hoje. Foto: Gabriel Rodrigues

CINE TEATRO COLISEU

No dia 17 de fevereiro de 1938, Cachoeira se preparou para a abertura da mais nova casa de cinema da cidade, o Cine Teatro Coliseu, instalado no ponto mais nobre da Rua 7 de Setembro. Para o ato inaugural foi exibido o filme “São Francisco, a cidade do pecado”, com Clark Gable e Jeannette MacDonald, de 1936. Também foi palco de apresentações teatrais, comícios e conferências de personalidades ilustres da cultura nacional. Mas seu palco silenciou, ficando a mercê da própria sorte. Hoje o que restou do Coliseu são uma fachada e algumas paredes.

Primeiro aniversário do Cine Teatro Coliseu, em 1939. Foto: blog História de Cachoeira do Sul/ Divulgação

Interior do Coliseu. Ao piano, o maestro Curt Dreyer. Foto: Benjamin Camozato

Rua Sete de Setembro, década de 1930. Foto: Acervo Dr. Fritz Strohschoen

Escombros do Coliseu pelo lado de dentro. Foto: Defesa Civil do Patrimônio Histórico (Defender)/ Divulgação

Coliseu hoje. Foto: Gabriel Rodrigues

CINE VIA SETE

O único cinema em funcionamento na cidade hoje, o Cine Via Sete, abriu as portas em abril de 2006. Foram nove anos como único empreendimento, à espera da inauguração do Orlando Plaza Shopping. “Eu espero que nós consigamos por muitos anos proporcionar essa alegria, essa distração e esse lazer para a população de Cachoeira”, diz Ana Paula Pereira, proprietária do Cine Via Sete.

Cine Via Sete hoje. Foto: Gabriel Rodrigues

MEMÓRIA

A história do cinema em Cachoeira começou muito tempo antes do Coliseu e do Astral, ocupando um grande prédio, cujos dias de glória não chegaram a 10 anos. Este prédio era o Teatro Municipal, inaugurado no dia de Natal de 1900. Com a desativação do Teatro em 1908, abriu-se espaço para a criação da primeira casa de cinema de Cachoeira, o Cinema Parque, inaugurado em 1909.

Um grande nome do cinema cachoeirense que jamais será esquecido é Eduardo Abelin (1900 – 1984), que foi ator, diretor, roteirista e produtor, considerado um dos pioneiros do cinema gaúcho e nacional. De motorista de táxi, Abelin transformou-se no grande referencial da história do cinema nacional. Ele também foi o fundador da produtora Gaúcha Filme, em 1927. Seus principais filmes produzidos foram “O Castigo do Orgulho”, lançado em 1927 e “O pecado da vaidade”, de 1931. Sua trajetória é retratada no filme “Sonho sem Fim” (1985), de Lauro Escorel, que traz em seu elenco nomes como Carlos Alberto Riccelli, Débora Bloch, Marieta Severo e Fernanda Torres.

O cachoeirense dá nome ao troféu Eduardo Abelin, que homenageia grandes entidades, cineastas e diretores brasileiros no Festival de Cinema de Gramado (RS), evento que acontece anualmente na serra gaúcha. Foto: Edison Vara/Pressphoto

 

Foto de capa: Jake Hills/Unsplash

Fonte: Reportagem produzida para a disciplina de Telejornalismo I, ministrada pelo professor Leonel Aires em Jornalismo – Curso de Comunicação Social da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc).

Fontes de pesquisa: Mirian Ritzel, Elizabeth Thomsen, Jornal do Povo e Leonel Aires.

Sobre o autor

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues, estudante de Jornalismo, criador de conteúdo, repórter e fotógrafo.

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